Wado mostra a cara em novo trabalho. Óbvio, trata-se de letras tão pessoais e passionais
O
cantor e compositor Wado sempre gostou de parcerias. Nos dois primeiros
trabalhos isso não se mostrava uma verve, mas após a sua breve participação na
banda Fino Coletivo, a atitude tem se tornado diretriz. Afinal, chega um
momento da vida em que todos desejam não mais caminhar sozinhos. É chato.
Em
seu novo álbum, “1977”, ano do nascimento do artista, das 10 faixas apenas uma
foi realizada sozinho. E, após o contemplativo “Vazio Tropical”, Wado
adicionada mais guitarras e namora com um tímido rock, porém, promissor. A
energética abertura com “Lar” sintetiza isso, seguida de “Cadafalso”, que tem a
participação do vocalista da Fresno, Lucas Silveira. Mas assim como nos
primeiros álbuns, o catarinense criado em Maceió, percorre outros gêneros
musicais e acerta em todos.
Ao
longo de sua carreira, ele já fez funk-palavrão, samba, reggae e
baladas-corta-coração, tudo moldado com idiossincrasia. Pró-ativo, o cantor
impressiona na arte de não se acomodar, sempre procurando novas saídas que se
tornam entradas para as mais variadas possibilidades. Se em “Vazio Tropical” a
sua inspiração era o lírico, em “1977” surgem inspirações latinas, como no
bolero “Condensa”, com a participação de João Paulo, Martim e Belen Natali, que
mistura vários sotaques. Aliás, línguas acentuadas é o que você mais ouvirá
neste álbum, que não se trata de uma Babel, e sim, a certeza de que Wado segue
corretamente em suas decisões musicais.
Leonardo
Handa
