sexta-feira, 24 de abril de 2015

Impressões - "1977" - Wado


Wado mostra a cara em novo trabalho. Óbvio, trata-se de letras tão pessoais e passionais

O cantor e compositor Wado sempre gostou de parcerias. Nos dois primeiros trabalhos isso não se mostrava uma verve, mas após a sua breve participação na banda Fino Coletivo, a atitude tem se tornado diretriz. Afinal, chega um momento da vida em que todos desejam não mais caminhar sozinhos. É chato.

Em seu novo álbum, “1977”, ano do nascimento do artista, das 10 faixas apenas uma foi realizada sozinho. E, após o contemplativo “Vazio Tropical”, Wado adicionada mais guitarras e namora com um tímido rock, porém, promissor. A energética abertura com “Lar” sintetiza isso, seguida de “Cadafalso”, que tem a participação do vocalista da Fresno, Lucas Silveira. Mas assim como nos primeiros álbuns, o catarinense criado em Maceió, percorre outros gêneros musicais e acerta em todos.

Ao longo de sua carreira, ele já fez funk-palavrão, samba, reggae e baladas-corta-coração, tudo moldado com idiossincrasia. Pró-ativo, o cantor impressiona na arte de não se acomodar, sempre procurando novas saídas que se tornam entradas para as mais variadas possibilidades. Se em “Vazio Tropical” a sua inspiração era o lírico, em “1977” surgem inspirações latinas, como no bolero “Condensa”, com a participação de João Paulo, Martim e Belen Natali, que mistura vários sotaques. Aliás, línguas acentuadas é o que você mais ouvirá neste álbum, que não se trata de uma Babel, e sim, a certeza de que Wado segue corretamente em suas decisões musicais.


Leonardo Handa