quinta-feira, 2 de abril de 2015


Capa do terceiro disco do Cícero. Sim, é uma praia. Sim, o disco se chama A Praia. Sim, esse céu precisava estar nublado para fazer mais sentido. 

Após lançar um "The Bends", o compositor e cantor Cícero está em busca de um "Kid A". O fantástico álbum de estreia solo (o cara tinha uma banda antes, chamada Alice) revelou um apanhado de canções doces, agridoces, tristes e alegres, tudo ao mesmo tempo. Depois, o artista se enveredou num segundo trabalho de experimentalismo meio salgado, parindo "Sábado", um tanto quanto difícil, de melodias tortas e produção cuidadosa, repleta de detalhes que, por vezes, acabaram soando rebuscados demais, chatos demais, muito demais. 

Agora o rapaz solta mais um álbum, "A Praia", que pode ser baixado gratuitamente pelo site oficial (www.cicero.net.br). Na primeira audição, provavelmente você vá torcer o nariz, caso ainda esteja acostumado com o lirismo de "Canções de Apartamento". Na segunda audição, se acostumará com alguns maneirismos, como a afinação da guitarra, os ruidinhos e os tecladinhos. Na terceira audição, refletirá: está difícil de chegar a uma conclusão, o filho da puta do disco é bom ou não? Aí, se você chegar à quarta degustação e a resposta para a pergunta ficar mais complicada, fodeu mesmo, é melhor continuar escutando o "Rainha dos Raios", da Alice Caymmi, ou procurar outra novidade caso esteja sedento por algo que te emocione.

"A Praia" inicia com "Frevo por Acaso nº 2", uma continuação que significa algo se você manja de semiótica, e termina com "Terminal Alvorada", um diálogo no estilo mais desbotado de "Sinal Fechado", do pós-doutor Paulinho da Viola. No meio dessas canções, tem o recheio. E só.