terça-feira, 11 de junho de 2013

Impressões - Lulu Canta e Toca Roberto e Erasmo


Lulu Santos perdeu recentemente a ex-esposa, a jornalista Scarlet Moon. Nos últimos anos compôs álbuns irregulares, longe da genialidade pop que permeou sua carreira nos anos 1980 e 1990. O “high and dry” em sua história musical sempre esteve presente.

Já a sua vida pessoal, muito bem reservada, apenas serve de sugestão quando alguma nota a respeito é publicada. Imagino que apenas os íntimos saibam as verdades. Isso vem ao caso ou ao acaso? Pode ser, afinal, várias vezes a vida pessoal interfere na profissional.

Neste presente, após esbanjar carisma como um dos jurados e tutores do programa The Voice Brasil, Lulu continua como um dos principais compositores pop que o Brasil possui. Não à toa, apesar de às vezes se mostrar um chato, ainda movimenta um grande público em seus shows. Os recentes foram dedicados exclusivamente a reinterpretações de canções de Roberto e Erasmo Carlos. Ele inverteu totalmente os arranjos dos clássicos da dupla, como “As Curvas da Estrada de Santos”, “Sentado à Beira do Caminho” e “Quando”. A sua intenção, confessa, era justamente essa: causar estranheza. E é justamente isso que funciona, pelo menos agora no lançamento do disco “Lulu Canta e Toca Roberto e Eramos”.

A obviedade do título está longe da obviedade das músicas. Lulu Santos sempre se mostrou muito esperto em suas regravações, vide suas intervenções em “Não Identificado”, do Caetano, “Dê Um Rolê”, dos Novos Baianos e “Fé Cega, Faca Amolada”, do Milton Nascimento. Regravar por regravar não é com ele. É preciso recriar. Ponto.

As músicas de Roberto e Erasmo todo mundo reconhece na introdução. Não precisa de 30 segundos para isso. Mas nas versões feitas pelo Lulu você precisa aguardar o cantor começar os primeiros versos para conseguir sacar de qual canção se trata. “Como é Grande Meu Amor Por Você” ganhou um assoviado delicioso. “Não Vou Ficar” ganhou potência nas guitarras limpas e nas camadas de teclados.

Esperto que é, Lulu chamou alguns cantores que acompanhou no The Voice para o ajudarem nos vocais. Mais um ponto positivo, bem como sua encarnação Chuck Berry em “Festa de Arromba”.


Com um disco de inéditas engavetado, se recompondo de um luto por uma pessoa importantíssima em sua carreira, tanto pessoal quanto profissional, e o mais idiossincrático jurado do The Voice Brasil, Lulu ainda tem o que falar, mesmo que seja em um álbum-homenagem totalmente dedicado a compositores cansadamente interpretados.