Não foi lançado oficialmente, mas faz tempo que vazou na rede, como
peixe que consegue fugir do seu predador. O novo do Queens Of The Stone Age, “Like
Clockwork”, já é preza fácil. E, caso se tratasse de uma bosta, também causaria
um alvoroço, dado o tempo que Josh Homme não lançava algo inédito das rainhas
do tempo da pedra. Mas não é o caso, pois o álbum é grandiloquente. Lógico que
não se compara ao clássico “Rated R”. O som está diferente, mesmo com as
características linhas de guitarra e marcação de bateria.
Homme, que passou por uma experiência de quase morte após uma
operação, disse ter refletido bastante sobre a situação. Isso o inspirou a
compor os temas do disco. E ele é apocalíptico, melhor endossado pela série de
clipes que banda tem lançado em parceria com o designer inglês Boneface. Seu
traço e animações beijam perfeitamente com a ideia do trabalho. Nos vídeos,
personagens horrendos são apresentados e cada clipe é uma continuação da
história de um mundo infeliz, com seres marginais, muito sangue e deformações:
um retrato extremamente triste da humanidade, contudo, de poesia mórbida que é
admirável aos olhos menos puristas.
“Like Clockwork” inicia épico com “Keep Your Eyes Peeled”. Arrastada,
distorcida, com uma cama de teclados que não se contrapõe à guitarra, mas dá um
brilho à melancolia. O crescente segue com a segunda faixa, “I Sat By The Ocean”,
onde o instrumento de Homme ganha o destaque. Mas, quando você espera uma
explosão na terceira música, o clima faz-se contrário. “The Vampyre Of Time And
Memory” é a balada tristonha, com piano inspirado em Elton John. Inclusive, o
cantor é uma das participações do álbum. O inglês aparece em “Fairweather
Friends”. Seu piano ficou tão discreto que nem faria diferença. Ao menos os
vocais são percebidos.
E não é apenas o senhor-can-you-feel-the-love-tonight que aparece nas
contribuições, Mark Lanegan e Dave Grohl, figurinhas fáceis do companheiro Josh
Homme, também destilam seus talentos no disquinho, além de Trent Reznor (Nine
Inch Nails), Jake Shears (Scissor Sisters) e Alex Turner (Arctic Monkeys). Com
tanta gente legal reunida, não tinha como sair uma merda.
Leonardo Handa