terça-feira, 8 de maio de 2012

Eu tenho um amigo chamado João. Nós trabalhamos em uma agência de Publicidade e a cada hora saimos para fumar um careta. Somos redatores. Na verdade, ele é, eu faço esse trabalho às vezes, pois minha formação é Jornalista. Dessa forma, trabalho mais com assessoria de imprensa, mas também faço atendimento e mídias sociais.
As paradas para o cigarro sempre geram conversas, no mínimo, pitorescas. A gente joga diarreia no ventilador para ver se sai sólido. Alguns diálogos são verdadeiras viagens sem fim. Tudo é acompanhado pelos senhores aposentados que se sentam no bar em frente à agência. Eles devem pensar: esses meninos são alcóolatras. Ok.
A última conversa que tivemos foi sobre o amor, esse sentimento que sofre fortemente de abstrações, chegando a causar gonorreia no olho quando vivido de maneira errônea. Aliás, amor errado é um ótimo de título de canção. Vou deixar aqui no cantinho, anotado.
Nós estávamos falando como é engraçado quando o casal começa a namorar e monta inúmeros álbuns de fotos no Facebook, todos com retratos de momentos felizes. Mas, no fundo, eles não se suportam. Eles se castram. O cara tem os olhos fechados pela moça quando sai na rua, pois não pode ver para nenhuma outra mulher. O cara briga com o moça se ela quer usar uma saia mais confortável. Os dois se provocam constantemente, tentando arrancar algum sinal de ciúmes. Ao invés de amor, vira o quê? Perturbação.
O namoro é uma das formas mais pré-históricas de se manifestar o amor carnal entre duas pessoas. E é tão arcaico. Será que não está na hora de inventarmos uma outra forma de amar? Não estou falando de sexo sem compromisso, amizade colorida ou o diabo vestido para um casamento lindo em uma igreja toda decorada de branco. Estou falando de uma forma inovadora de relacionamento. Algo que não tenha os absurdos da consequência de se ter uma vida a dois. Afinal, dois corpos não cabem no mesmo espaço. Se bem que um dia conheci um guri que quase se fundiu em sua namorada, mas isso não vem ao caso. O fato é que existem coisas que, mesmo com todos os clichês, ainda são deliciosos.
É ótimo ver a sua namorada dando uma de pomba-gira quando você não a elogia, por mais que você não tenha notado que ela cortou 0,000001 centímetros do seu cabelo. É ótimo ver o seu namorado emburrado quando é chamado de gordo. É ótimo ver a sua garota tendo chiliques quando você encontra a sua ex. É ótimo quando o seu namorado esquece a data do primeiro beijo, em uma noite chuvosa, quando ela estava com um vestido magenta que você nem tem ideia do que se trata. É ótimo quando você vai ao bar assistir Grêmio e Internacional e sai abraçado com os outros caras, e ela fica lá, que nem uma pata num cio interminável de prazer e ódio. É ótimo quando ela resolve jogar na sua cara, dizendo que as preliminares são muito mais do que ver o seu time tentando classificação. É ótimo quando ele diz que Martha Medeiros é leitura de mulherzinha. É ótimo quando ele tem que esquentar a sua bunda gelada e o seu pé que é um freezer nesta época do ano.
E é exatamente aí que está a graça: os pequenos percalços, defeitos hilariantes e desconsertos dilacerantes que fazem do tal do namoro algo perfeito para aqueles que chamam de casamento. Mas aí vem o submarino e tudo afunda. Existem coisas que não se tem como mudar.
Enquanto isso, eu e meu amigo João, continuamos ali na calçada traçando mais alguns roteiros que nunca saem da cabeça para encontrar o papel, e nem são imaginados como comédia romântica.