Ela é charmosa. Muito charmosa. O adjetivo vem acompanhado de uma voz
doce, singela, com pequena dose de rouquidão que deixa o seu cantar ainda
melhor. Sabe aquelas pessoas que você olha e pensa: eu me apaixonaria
facilmente. Então? A Bárbara Eugênia é uma delas.
Quando lançou “Journal de BAD”, seu primeiro trabalho, chamou a
atenção pela mistura de baladas com pitadas de psicodelia, mas tudo sem exageros
ou arroubos de virtuosismos. Nada de chatices ao estilo do Pink Floyd, aliás,
seu álbum nem conversa com o som dos ingleses.
Passado quase três anos, Bárbara lança “É o Que Temos”, com um pé na
música brega, tão bem representada por Márcio Greyck e Odair José, mas sem se
esquecer de atualizar o gênero. Não à toa, regravou “Porque Brigamos”, da
breguíssima Diana, cantora que, caso tenha frequentado uma zona no Nordeste, já
ouviu ou dançou com uma puta. Para os desatentos que a escutarem pela primeira
vez, podem até confundir a voz da Bárbara com a da Paula Fernandes, mas é só
chegar o refrão que tal comparação enfadonha se escapa.
O amargo saboroso do brega também é representado em “Roupa Suja”, cujo
vocal é dividido com o Pélico. Mas a melhor participação fica por conta de Tatá
Aeroplano, do Jumbo Elektro e da sensacional Cérebro Eletrônico. A cantora
interpreta com ele “Não Tenho Medo da Chuva e Não Fico Só”, quando o ritmo dá
licença a uma balada perfeita para os dias de solidão.
Difícil separar um destaque num trabalho tão coeso e proposto de audácia,
mesmo que sem novidades, mas repleto de gostosuras como “O Peso dos Erros” e “Sozinha
(Me Siento Solo)”. São com discos assim que dá vontade de sempre sorrir à nova
geração do pop brasileiro.
Leonardo Handa
