
O que leva um artista de renome nacional juntar um punhado de boas canções internacionais e transformá-las em diarreia sonora para os ouvidos? É muito difícil até para os grandes compositores gravarem um bom disco. O Dinho Ouro Preto, que dispensa apresentação, já fez o seu com a sua banda. Em 1998 lançou o álbum “Atrás dos Olhos”, um trabalho acima da média para toda a discografia do grupo brasiliense.
Passado quase 30 anos de Capital Inicial, o cara resolve registrar um disco-solo. Mas qual foi a sua intenção? As músicas eram boas o suficiente para estragá-las. Dinho Ouro Preto não acertou em nenhuma das versões e fez pior: desonrou todas as canções.
O álbum “Black Heart” deve ser utilizado como instrumento de tortura para acadêmicos de comunicação que têm preguiça de estudar Umberto Eco. E isso ainda é muito pouco. Talvez seja usado como desculpa aos surdos que felizes se encontram na condição por não precisarem ouvir algo do tipo. Depois de todo o estrago, a humanidade desejaria perder a audição para não correr o risco de desenvolver um câncer no tímpano.
Apesar de todo o exagero, o fato é que o cantor separou um time de primeira, com The Smiths, Prince, The Raconteurs, Elvis Presley, Patti Smith, Eddie Vedder, The Cure, entre outros. Jogou tudo em um liquidificar e, apesar do pedigree de todos, fez um grande coquetel de vômito. É vergonhoso o que ele aprontou com “Hallelujah”, a mais bela canção parida pelo Leonard Cohen. A gravação faz parecer o caso Nardoni uma inocente fábula infantil.
Mas quem leva o prêmio de “Versão Pútrida” é “Love Will Tears Us Apart”. Graças aos bons santos que Ian Curtis está deitado