segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Impressões – Show do Chico Buarque




O palco do Teatro Guaíra era o altar. Todos estavam prestes para presenciar uma missa mpbística. A terceira noite de shows do Chico Buarque na capital paranaense teve tudo o que uma cerimônia religiosa possui: adoração, momentos de contemplação, beleza e também um pouco de frieza.
Adorneado com desenhos inspirados na obra de artistas como Oscar Niemeyer e Cândido Portinari, o palco tinha um primor digno do protagonista. A cada canção, cores ressaltavam a delicadeza das frases, dos acordes e das melodias. Assim que o filho do Sérgio subiu no altar, os fiéis ovacionaram e deixavam vazar gritos-adjetivos. Os mais ouvidos eram “lindo” e “gostoso”. Pedidos de casamento também foram escutados.
O início do show pediu licença para as novas músicas, do disco “Chico”. Como o álbum é recente, foi coerente sentir do público um silêncio quase sacro. Os tímpanos eram atenção e a cada final de canção, a catarse era explícita nas palmas. Os primeiros acompanhamentos vocais dos presentes se manifestaram quando Chico e sua banda repleta de gente fera tocaram “Querido Diário”, e continuou afora com a belíssima surpresa “O Meu Amor”, do musical “Ópera do Malandro”. Destaque também para o cantar do refrão de “Geni e o Zepelim”, afinal, os versos eram ótimos de cuspir.
Contando com músicos fodásticos como Chico Batera e Jorge Helder, seria redundância mencionar que Chico estava bem servido, sobretudo por contar com o ritmo de Wilson das Neves, parceiro de longa data do cantor, que tem um momento especial quando divide os vocais com Chico. Especialíssimo.
Após três bis, com o seu caminhar peculiar, o cantor some na penumbra do palco enquanto a banda destrói carinhosamente os seus instrumentos. A missa acaba e todos retornam às ruas com a alma renovada e abençoada.

Leonardo Handa