
O Sesc de Pato Branco sempre realiza eventos culturais interessantíssimos. Infelizmente, muitas vezes a população não os aprecia quando divulgados. Todos os sábados, por exemplo, tem sessão de cinema para crianças, às 16h, e adultos, às 20h. O último filme que passou foi “O Segredo dos Seus Olhos”, do diretor argentino Juan José Campanella, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Esse é apenas um dos ótimos longas-metragens que o Sesc passa para o público, gratuitamente. Pergunta: - o povo aprecia? Nem sempre.
A ação cultural mais recente da entidade foi uma semana dedicada à Consciência Negra. No último sábado, três grupos (samba, capoeira e maracatu) se apresentaram ao lado da quadra esportiva do Sesc. Segunda pergunta: - deu público? Pequeno, mas pelo menos animado.
Cabe aqui uma curiosidade, no momento da exibição do pessoal do Maracatu Itá, de Curitiba, tinha um grupo na quadra praticando um futsal de final de semana. Os caras não aguentaram o peso dos tambores e, delicadamente, fecharam as portas do ginásio. Terceira pergunta: - o som estava ofensivo ou não estavam entendendo o contexto? Quem sabe o barulho incomodou a concentração dos craques e suas respectivas jogadas. Fico imaginando como os atletas dos jogos da Copa do Mundo na África do Sul, com as famosas vuvuzelas e batucadas nos estádios, suportavam tamanho, digamos, “contágio ritmado cultural”.
Cabe aqui uma curiosidade, no momento da exibição do pessoal do Maracatu Itá, de Curitiba, tinha um grupo na quadra praticando um futsal de final de semana. Os caras não aguentaram o peso dos tambores e, delicadamente, fecharam as portas do ginásio. Terceira pergunta: - o som estava ofensivo ou não estavam entendendo o contexto? Quem sabe o barulho incomodou a concentração dos craques e suas respectivas jogadas. Fico imaginando como os atletas dos jogos da Copa do Mundo na África do Sul, com as famosas vuvuzelas e batucadas nos estádios, suportavam tamanho, digamos, “contágio ritmado cultural”.
No entanto, essa não é a questão, o fato é a absorção do novo, da zona de conforto, da simples gostosura de se entregar, sem julgar, a culturas que não são nada frequentes na região Sudoeste do Paraná, com seus vanerãos pops importados do Rio Grande do Sul ou duplas sertanejas universitárias importadas de alunos de faculdades sem aprovação do MEC. O contexto ficou radical? Lógico que sim, essa é a intenção. Quarta pergunta: - soa contraditório eu escrever isso? Sim, afinal, não curto os gêneros que critiquei. Quinta pergunta: - isso vai importar para alguém? De maneira nenhuma, afinal, é mais interessante seguir por alguns quilômetros de carro e gastar um dinheiro com uísque na casa noturna da esquina do que aparecer no Sesc que fica bem próximo do logradouro mencionado.
Resumindo, bem descaradamente, o Maracatu Itá merecia ter sido degustado e ouvido por mais pessoas no espaço destinado, pois o ritmo do tambor manifesta tanta emoção, mesmo não sendo original daqui, do que os acordes da canção “nossa, nossa, assim você me mata”. Outra coisa, a fundamental da crítica: o Sesc se esmera em trazer eventos diferentes que deveriam ser menos subapreciados. Falei.
Leonardo Handa - Jornalista
Leonardo Handa - Jornalista