Chega esta época do ano e todo mundo faz retrospectivas, sobretudo na vida pessoal e profissional. E, que ano maldito, hein? O verdadeiro amor se foi, um emprego que eu julgava ideal também. O sentimento continua, mas o job mudou. Para melhor. Sem comparação.
Dezembro, último mês do ano, Natal e Ano Novo e... Listinhas com os melhores trabalhos musicais do ano. Os sites especializados já fizeram as suas. Eis a minha, calcada apenas no gosto individual, sem análises mais rebuscadas quanto a produção, composições e arranjos, e sim, no que mais ouvi, me lambuzei e curti neste 2015 que, graças ao tempo, vai acabar. Vade retro e adeus.
15 - "Manual" - Boogarins - Psicodelia brasileira da boa, gostosinha e repleta de improvisações. Uma delícia chaparral.
14 - "Carbono" - Lenine - Se não inova em sua discografia, ao menos, também não estraga em nada, nem mancha a sua carreira vitoriosa de canções que fazem você pensar.
13 - "Blam! Blam!" - Jonas Sá - O compositor bonitinho abusa dos ruidinhos eletrônicos e entrega provocações e inventividade em harmonias e melodias quebradas que, pasmem, fazem você querer dançar a noite inteira.
12 - "Loucura Total" - Fito Paez e Moska - Outrora assinando como Paulinho, o cara tem um programa no Canal Brasil. Ele chamou o ícone argentino para uma participação. Deu tão certo que virou um disco que prima pelas melodias. Delicioso.
11 - "O Homem Bruxa" - André Abujamra - Desde a época do Os Mulheres Negras, André é prolixo. E já beirou a genialidade com o Karnak. Nesse trabalho solo, homenageia seu falecido pai e ainda nos presenteia com pérolas (e porcos).
10 - "Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!" - Johnny Hooker - Já vale estar aqui só por causa do título. Mas não é só isso. O seu pop com brega, rock com sotaque nordestino, são redondinhos, tudo guiado por letras fundo de poço que me atingem a cerne. De gozar!
9 - "Amor Violento" - Quarto Negro - Repleto de poesia, simples, diretas e melancólicas, o disquinho é perfeito para dias nublados, com lágrimas nos olhos e nas janelas da casa. Não precisa preparar o estilete, mas sim, o lencinho.
8 - "Trovões A Me Atingir" - Jair Naves - Esse segundo solo é mais fácil do que o seu primeiro, que era nublado. Neste, pela capa, dá para perceber a claridade e a beleza pop de melodias saborosas.
7 - "Dancê" - Tulipa Ruiz - A lindeza queria fazer um álbum para tocar na pista. Apesar de não ter conseguido, é o seu trabalho mais consistente e direto. Coloque o somzinho na sala enquanto troca uma ideia (e salivas) com seus amigos mais sacanas.
6 - "Frou Frou" - Bárbara Eugênia - Esse aqui é para continuar o machucado proporcionado pela dor do fim de um amor. A guria expõe todas as suas dores e é impossível não se identificar com os versos cheios de desilusões e tormentas sentimentais. Obrigado Bárbara, te amo.
5 - "Estratosférica" - Gal Costa - A baiana chamou uma galera nova, cada qual deixou sua contribuição e pariu com a profana um trabalho redondinho, de frescor e frescuras para sua carreira, que já anunciava oxigenação no disco anterior, todo trabalhado no eletrônico.
4 - "Selvática" - Karina Burh - Num Brasil cada vez mais politicamente correto, salve-ave-maria que exista alguém como a Karina, que vomitou lindamente a capa mais emblemática de 2015, que vem recheado de um disco rápido, pesado, conciso, obtuso, apavorante e, de certa forma, punk. Casa comigo?
3 - "Fortaleza" - Cidadão Instigado - Fernando Catatau, o vocalista, é o pior de todos, só perde para os protools de alguns sertanejos que desafinam pra caralho. Mas, como guitarrista e compositor, ele destrói. E é por isso que vale a pena. Sem mais.
2 - "Ava Patrya Yndia Yracema" - Ava Rocha - Ela é filha do Glauber, tem conteúdo em suas letras e uma capacidade inventiva incrível em jogar na cara da sociedade o que de fato se chama melodia, não essa jocosidade radiofônica que os populares mais gostam. É aquela coisa: gosto se discute sim! Tenho dito.
1 - "A Mulher do Fim do Mundo" - Elza Soares - Absolutamente o melhor trabalho deste ano. Corajoso, vigoroso, forte e violento. A negra mais bonita do país chamou a vanguarda do samba de São Paulo e do Rio que a presenteou com uma coleção de canções jucundas, espertas e raivosas, tudo dentro de um amor eterno. Além de ser crítico, revigorante e sagaz, o trabalho traz a melhor canção interpretada pela senhora Elza: "Pra Fuder". Sem falar que a sua voz rouca nunca soou tão verdadeiramente dolorida e bela. Quem for ao Psicodália de 2016 terá a oportunidade de desfrutar dessa obra de arte ao vivo.
lsH














